A Gazeta – Caderno de Política
Vitória (ES), sexta feira 1º de abril de 2005
Editor: Eduardo Caliman
Análise
Ricardo Dalla
A emenda ficou pior que o soneto
Com o substitutivo da MP232 e com informações inconsistentes, falar que a arrecadação saltará de U$100 milhões para U$2 bilhões criando um milhão de empregos diretos, e que a perda de receita nascida corrigindo a tabela do Imposto de Renda em 10% chegaria a R$ 2,5 bilhões, convenhamos! A emenda ficou pior que o soneto.
Eliminar tributação do IPI, II, PIS, confins importando máquinas, equipamentos e serviços e desenvolver aqui software, para re-exportação, prestigia produtores internacionais prejudicando os nacionais. Essa coisa de anunciar no Brasil projetos megalomaníacos já não convence mais, especialmente quando destituídos de base, cálculos e explicações. Falta transparência no recuo que chegou de supetão, daí porque não pode o setor produtivo ficar na ilusão de tão magnânima idéia.
A medida serve aos internacionais, certamente ditados pelo FMI. Nossa dívida externa está encostado em U$ 1 trilhão e deveríamos ser mais ousados como os argentinos, russos, chineses e coreanos (emergentes como nós), que deliberaram quanto e quando pagar os serviços da dívida, arrepiando economista do fundo, conseguindo crescimento econômico elogiável de 7,8,9% ou mais e ainda, investindo as sobras em infraestruturas básicas, conjugada com diminuição da carga tributária e aumento de empregos, o que não se vê por aqui há um bom tempo.
Ricardo Corrêa Dalla é advogado constitucional tributário